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| Comunicantes I - 9 módulos de 80 x 80 cm Acrílica sobre tela, - 2013 |
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| comunicantes I_A2 - 80 x 80 cm acrílico sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes I - 9 módulos de 80 x 80 cm Acrílica sobre tela, - 2013 |
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| comunicantes I_A2 - 80 x 80 cm acrílico sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II - 9 módulos de 80 x 80 cm Acrílica sobre tela, - 2013 |
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| Comunicantes II_A1 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_A2 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_A3 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_B1 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_B2 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_B3 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_C1 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_C2 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Comunicantes II_C3 - 80 x 80 cm acrílica sobre tela, 2013 |
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| Vaso árvore I - 2013 acrílica e óleo sobre tela, 2,00 x 1,60 m |
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| Vaso árvore II - 2013 acrílica e óleo sobre tela, 2,00 x 1,60 m |
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| Vaso árvore III - 2013 acrílica e óleo sobre tela, 0,80 x 1,60 m |
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| Vaso árvore IV - 2013 acrílica e óleo sobre tela, 1,60 x 0,80 m |
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| Vaso árvore V - 2013 acrílica e óleo sobre tela, 1,60 x 2,00 m |
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| O corpo e o barco I, 2012 acrílica sobre tela - 2,00 x 1,60 m |
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| O corpo e o barco II, 2012 acrílica sobre tela - 2,00 x 1,60 m |
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| O corpo e o barco III, 2012 acrílica sobre tela - 2,00 x 1,60 m |
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| O corpo e o barco IV, 2012 acrílica sobre tela - 0,80 x 1,60 m |
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| O corpo e o barco V, 2012 acrílica sobre tela - 1,60 x 0,80 m |
Pintar é uma mistura de cores incessantes. Misturar e ser absorvido entre a tela, o ar e o cavalete, o pintor está comodamente acolchoado em um manto cheio de lantejoulas. As lantejoulas luminosas que se desprendem das dobras deste manto criam um caminho, para ser percorrido somente pela sensação luminosa em terrenos pantanosos (em massas, sobreposições e arranhões de toda a espécie) no desespero de encontrar uma pérola em uma superfície cheia de lama.
O pintor está sobre uma pedra. Nos ombros um manto colorido e nos pés cogumelos. Assim firme, o pintor sonha e percebe a “mudança” atento em frente a um grande papel na qual escorre a tinta. Na visão deste tipo de artista no plano, cria-se um lago onde antes não havia nada, só os brancos, somente os pontos luminosos de bocas abertas para o ar. A pintura reage entre a umidade e a sensação da secagem, petrificando a paisagem, reagindo a uma mudança natural na passagem e no deslocamento íntimo dos pigmentos.
O desenho é o oposto da pedra. O desenho é o movimento “suave de uma tempestade” O desenho a lápis é a própria tempestade de nervos acinzentados que alimentam um rio sobre o papel. Tudo está relacionado com as linhas que moldam as formas, contornam a luz e criam barreiras instintivas no suporte, dando origem a espaços, como a água que jorra durante muito tempo em um rochedo. O lápis cai com a ponta sobre a folha como uma gota fria de chuva. Ali o grafite germina, deslizando em um corpo nu e branco. Inventa espaços. Sonha com limites rabiscados tendo como morada requintada um ponto de interrogação. E neste ponto, no gesto tosco de uma mão em equilíbrio constante com a grafia está, em certo sentido, a tensão luminosa. Sim o grafite reflete a luz e entre os minúsculos pontos existem passagens secretas nos tons de cinzas. São pequenas portas que abrem templos ocultos na lenta passagem granulada da luz, provocada pela vibração dos dedos, do pulso e de todo o braço do desenhista. Um aríate que arromba bruscamente as portas e libera a luminosidade para dentro de aposentos de cristal.
O desenho é a condução vibrante em direção a mundos inimagináveis, habitados por espíritos tensos e secos. Diferente do pintor o desenhista encontra-se nu, subindo livre as escarpas de um monte berrando e abrindo os braços no ar. Pode ser comparado a um louco que se atira ao mar, querendo ser um atum, querendo estar sempre vivo em uma corrente e em um “fluxo” para depois, ser atirado de volta na terra. A linha feita de lápis possui os desejos líquidos da água pura que seca. A luz passa através de uma corrente de sensações íntimas abertas no sangue. E o sangue ( líquido que coagula) é outra densidade vital que anima os músculos e os nervos para o movimento e situa-se entre o grão do lápis (nervos e tendões das mãos) até o saber. Existe, na observação dos espaços maculados pelas formas e pelos cheiros (aliados à memória) que escava o olhar, para depois emergir, como magma no ato simples do desenho, uma espécie de sabedoria que só é revelada pelo traço continuo e honesto. Requer certa habilidade no trato com esta linha pura, a primeira sobre a virgindade do papel. Esta “habilidade” só é adquirida com o tempo. Enquanto que a pintura utiliza-se de massa infante, para criar a realidade aplicada à outra realidade (a das cores), o desenho torna simples a observação de um “módulo”, uma forma composta exclusivamente por linhas. O módulo (a paisagem ou o corpo) ou nenhuma destas duas vertentes de representação insular mas apenas o “registro taquigráfico” de um movimento, em uma escala de valores acinzentadas próximos da pintura, (mas infinitamente distante dos seus propósitos) o desenho emerge. Cresce no gesto seco e preciso de um astrônomo que busca no céu os pontos cardeais e lá os encontra, solitários no cosmo. A pintura e o desenho possuem uma solidão diversa. Um contraponto premeditado pela vontade bruta (ou delicada) de se expressar nos valores tênues do coração. A linha conduz a emoção irrigada dos sentidos simples do papel. Toda a vida mundana, cotidiana, pode enquadrar-se nos gestos feitos a lápis de um diário. O desenho é o próprio diário desprovido de qualquer outra coisa a não ser a linha, o espaço e o tendão.
...em um jardim cheio de pés de mamão. Tão perto, as folhas tão verdes e amarelas, azuis contra o sol. Erguemos a cabeça e contemplamos a copa de uma árvore no quadrilátero pequeno da tela e a explosão dos galhos (apenas os detalhes) em busca do beijo da luz. O arco íris íntimo, a criação das cores pela sobreposição de camadas de tinta acrílica.
Palmeiras, pés de abacate e outras árvores espalhadas na cúpula infantil, tão infantil que até duvidamos por um momento do talento do pintor. Eis as folhas coloridas de um dia de sol forte, a copa erguida na grande árvore que espanta a criança e encanta o corante sonhador dos olhos raros do daltônico. Por esta qualidade de criança (memória) e de adulto (a paleta particular do pintor) que possui a incapacidade para diferenciar certas cores, em especial o vermelho é que, pela escolha da tinta acrílica (mais fácil de se misturar) o artista cria a imagem nítida de copas, juntando-se em uma estranha floresta em que as folhas possuem as formas de frutas tenras e macias. As cores (por vezes puras) extraídas limpas dos tubos como polpa suave, vão encontrando o seu caminho na tela, diluídas na água, entrando no tecido e secando após delicados gestos úmidos.
Chuva e sol. Nasce uma planta. Cria-se um caule, multiplicam-se os galhos na certeza das cores puras. O pintor daltônico evita muitas misturas. Como se pintasse com os dedos uma parede de azulejos. Da pequena série de plantas que eu vi, nenhuma possui a estirpe pequena de um vaso encostado na porta de uma casa ou na varanda, ali solitário a espera do sol. Não. O que vi foi um passeio largo por um jardim de árvores altas. As telas pequenas alcançam o vasto e provocam água na boca, pelas folhas e os frutos ali realçados, pela cor pura.